8 linhas sobre experiências das artes cênicas – O que você viu em Alagoas em 2025?

Esse é um retalhinho, ou bandeira branca, ou flâmula vermelha, todos têxteis de pequeno porte, sempre discretos. Escrevemos sobre o que vimos no ano de 2025 em Alagoas, é implícito dizer sobre o cansaço, o calor, a falta de espaços e afeto. A falta de tempo, de leitores, de pautas e de olhares artísticos críticos e incendiados pela realidade na nossa cena teatral, cênica e cultural. 

É necessário dizer ARTISTAS- UNI-VOS!

 O terreno de Alagoas nos parece cada vez mais desafiador, ou sempre foi? Apenas tivemos sorte/atenção momentânea? 

Licença que estamos passando, entre um máximo de oito linhas (tentaremos) falaremos de algumas experiências:

01/02/ 2025

Em fevereiro, o mês da mais gloriosa festa e celebração cultural desse país, sai pelas ruas do meu bairro ao encontro do Teatro Homerinho, abriu-se as portas de uma nova casa teatral em Maceió, vi nascer nesse bairro que vive entre o abandono e a euforia das festas, um teatro. Para mim é a coisa mais linda do mundo ver nascer um teatro, no bairro que me acolheu e me fez hibridar minha história e meu coração alagado de afeto por essa terra. Teatro Homerinho, é uma construção de sonho de Ivana Iza e Tainãn Costa, que se mantenha em pé por outros coletivos e pessoas que o ocupem na cena e no palco. Que ele seja presença viva e coletiva no Jaraguá. Evoé, que se lotem as arquibancadas de todas as gentes e artistas aqui e de todos os lugares do país.

Jaraguá que vive mais uma vez a especulação cultural e financeira, precisamos de políticas públicas de   segurança, de viabilidade cultural de lutar pela manutenção do SOM DO BECO, dos bares que surgem de comerciantes e artistas que povoaram e povoam esse espaço. Jaraguá, vivo para todos, todas e todes a rua democraticamente ocupada, com seus eventos organizados com o circular de todas as gentes, ir e vir resistir e manter a construção orgânica da vida cultural do Jaraguá. Monopólios culturais e elitizados não serão ocupados pelos jovens e artistas de Alagoas, é preciso construir de forma coletiva a narrativa cultural da nossa cidade. No trecho abaixo, um recorte da fala  de Amir Haddad, em 2011 sobre uma arte pública e sua ocupação na cidade:

A Utopia se constrói. 

Interferindo na questão com Políticas Públicas para as Artes Públicas o Estado estará colaborando com o anseio humano de equilíbrio nas relações que se estabelecem entre o público e o privado.  E novas possibilidades artísticas poderão nascer desta nova relação. A Arte Pública não é  e não pode ser produção do Poder Público. Não é! Mas, cabe ao Poder Público reconhecer sua existência e importância. E,  como faz com as Artes Privadas, criar para elas Políticas Públicas de estímulo e amparo.”¹

A rua é um espaço de todos e todas. E retórica histórica e constante que “higienizar “, “gourmetizar”, “silenciar” artistas, gentes que ocupam e movimentam a cidade é um projeto fadado ao fracasso. A rua é de quem a constrói no riso, no gozo, no prazer de estar e viver sua liberdade. Jaraguá só é vivo com a diversidade de todos os corpos.

¹HADDAD, Amir. Artes pública no Rio de Janeiro. Teatro de Rua e a Cidade, 21 dez. 2011. Disponível em: https://teatroderuaeacidade.blogspot.com/2011/12/artes-publica-no-rio-de-janeiro-amir.html. Acesso em: 28 dez. 2025.

 

Tessitura- Lili Lucca

 

22/02/2025

Encontros com as artes cênicas também podem ser arquitetônicos? Se sim, houve esse com o Teatro Arraial Ariano Suassuna, porém, quando carnaval em Recife encontramos um tapume tampando sua fachada mas é um motivo a mais para voltar e visitá-lo, tenho certeza que será genial. 

Tessitura Jocianny Caetano

 

27/03/2025

Medea dos OZIMFORMAIS apresentou no quintal do BazArte no bairro do Jaraguá, em Maceió. A atriz Jany Santos, de cara limpa ou com uma maquiagem muito suave, blusa branca da redenção e cabelo amarrado meio que selado com algum gel, ou coisa parecida, tinha voz firme e falava por uma personagem que embora diga ser estranha a este lugar é a mais comum das mulheres. Dia Mundial do Teatro. 

Tessitura Jocianny Caetano

 

17/05/2025

Durante a pandemia, o teatro se reinventou com espetáculos on-line, foi e lá que conheci Hilton Cobra, no espetáculo  “Traga-me a cabeça de Lima Barreto!”, monólogo protagonizado por ele. Em maio desse ano ele esteve presencialmente no Teatro Homerinho, olhar para essa cena é como um encontro com o escárnio que produzimos em nossa sociedade, a barbárie e a beleza na força imensurável de um artista negro brasileiro. Que seja ovacionado e que sua voz ecoe para mudar a narrativa vergonhosa de um país estruturalmente racista.

Tessitura Lili Lucca

 

01/07/2025

Em julho desse ano, consegui o privilégio de ir ao encontro da circulação no palco giratório. Acontecendo há 26 anos pelos SESC/AL, lá conseguimos descobrir formas de ver a cena, diálogos de composição, e estéticas díspares.

Olhando para Alagoas, o espetáculo Umbigo o grupo OZIMFORMAIS, revela corpos. Umbigo é o encontro de todas as danças, são corpos que contam nossa história e herança.  Mas no Teatro Jofre Soares, também encontrei com artistas de MS, MG e ACRE.

Tessitura Lili Lucca

 

08/07/2025

APTÁ-MG, com Bernardo Gondim é um espetáculo lindo onde o movimento e a descoberta de um novo mundo acontece de forma simples e bonita. Das relações findadas, a novas relações que surgem e a busca da compreensão de um novo movimento no mundo típicos e atípicos construindo relações.  Ele também acorda o medo de não saber como será, mas o encantamento com o novo modo de estar no mundo é também uma busca constante e todos nós?

Tessitura Lili Lucca

 

15/07/2025

Ainda na circular  do Palco Giratório, a companhia de teatro Fulano di Tal-MS, trouxe brincadeiras do fundo o quintal, ludicidade e muita contação de histórias, valorizando o simples ato a presença “ A Fabulosa História do Guri-árvore”, traz a reinvenção e poesia e Manoel de Barros, devolver o encantamento às crianças e hoje é o papel mais lindo e trabalhoso do teatro.

Tessitura Lili Lucca

 

22/07/2025

E nesse ir e vir, vi o espetáculo Fiandeiro de Tempo-AC, com atuação e direção do cruzeirense Victor Onofre, o solo, do Coletivo Iluminar traz a nossa escuta a dramaturgia da vida dos ribeirinhos, com contos, lundas, fé, preces, mistérios apresenta um mundo até então oculto ao nosso olhar. O palco giratório hoje é a expectativa que paira em todos os lugares do Brasil, onde um artista insiste em fazer teatro, fazer circular essa resistência e girar a esperança e o sonho de um país onde a arte um dia esteja a acesso de todos.

Tessitura Lili Lucca

 

01/08/2025

Espetáculo de abertura do   I Festival Alagoas de circo, “Apalhassadamuzikada... Uma Sinphonia Engraçada!” da Cia Turma do Biribinha (Arapiraca – AL), é um encantamento ver Biribinha e sua turma, parecem ser o que poderia surgir de melhor num encontro das artes cênicas, sem forçar barras, sem pesos de climas, apenas contar, e fazer rir. 

Tessitura Jocianny Caetano

02/08/2025

Em agosto o encontro é com o grupo Imbuaça-SE, completando 47 anos de existência. O espetáculo DE MULAMBO E FILÓ, é arte da mais pura engrenagem teatral, é ver em cena o malabarismo dos trabalhadores do teatro brasileiro, com a delícia e as dores de ser um artista brasileiro. Bonito, crítico e irreverente é arte em todos os sentidos.

Tessitura Lili Lucca

 

03/08/2025

Compondo a programação do I Festival Alagoas de circo, a montagem Gran Circo Carcará – Trupe Carcará (Cabo de Santo Agostinho – PE), trouxe o circo para o palco, para nos manter na ilusão de estarmos ali mesmo sem a lona faltou apenas a pipoca, e ademais as quebras, pausas e riscos estavam presentes. 

Tessitura Jocianny Caetano

 

09/08/2025

O último encontro com o I Festival Alagoas de circo, é um convite irrecusável quando finalmente não precisamos cortar a cidade para ter acesso a cultura, quando ela está no seu quintal. O encerramento aconteceu na parte alta da cidade e contou com duas apresentações: A mulher da capa preta do Circo Alteza (Maceió – AL), e em seu próprio local o Circo Novo Horizonte (Maceió – AL) também apresentou. Recordo-me de interpretar A mulher da capa preta de Peró de Andrade, como figura enigmática, ao mesmo tempo leve como as acrobacias no ar. O Novo Horizonte, traz a genuinidade de um circo que deve ser sempre festejado e zelado. 

Tessitura Jocianny Caetano

 

19/09/2025

Sobre a montagem cênica Quarto de despejo e Carolina, encontram Nise:

  • Lembrar que o teatro feito em uma escola pública também pode ser uma grande boia salva-vidas laranja.

 

Tessitura Jocianny Caetano

 

17/10/2025  

Acabei de descobrir que a palavra bólido significa meteoro, lendo Perto de um coração Selvagem de Clarice Lispector… No trecho em que falava de eternidade cuja compreensão julgo que me falta. A falta é uma palavra que cabe bem falando do Estudo N 1 do grupo Magluth (RECIFE - PE), porque ela é sentida e repetida na busca sobre falar da obra, mas isso ainda diz pouco. A leveza de não se propor dar conta da obra literária “Morte e vida Severina de João Cabral de Melo Neto” faz com que se alcance a poética do Severino, na sua agoniada e agonizante vida, de ter que partir e voltar, de ser plateia e assistir o que A e B podem fazer com você C e D, de se encontrar em uma imagem livre que dança um embalo que finalmente você pode acompanhar.  

E não é assim mesmo a vida severina? Cheia de imagens, esquisita demais como uma calça jeans de shopping, desnecessária, a espera de um bólido que não faça distinção e seja breve e rápido? Merecemos como dinossauros? Isso não é uma crítica, e diz muito pouco sobre a obra.

Tessitura Jocianny Caetano

 

20/09/ 2025

Logo ali, em setembro, João Victor Regis, apresentou seu EFÊMERO. Um espetáculo que precisa ser visto, uma dramaturgia que se repete cotidianamente em lares, escolas e cidades em nosso país. O espetáculo é belo, sincero e com dores. Como Efêmero, também é passageiro, mas deixa cicatrizes imensas. O palhaço aqui não quer ser seu motivo de riso. A sua herança é seu riso, o seu preconceito ele desanda para sua consciência.

Tessitura Lili Lucca

 

05/11/2025

Encontro surpresa na 11ª Bienal do Livro de Alagoas com o curso técnico de dança da Escola Técnica de Artes, acompanhando uma turma da escola e no modo professora, tudo parece ser sempre muito estado de alerta e um pouco tensionado, mas a apresentação de Balé foi um acalento, maior ainda quando a professora dançando no palco foi reconhecida e ovacionada por uma plateia discente que a reencontrou.

Tessitura Jocianny Caetano


18/11/2025

Mulheres em Shakespeare, da turma do módulo III do Curso Técnico de Arte Dramática - ETA, conta com um frescor aterrorizante fragmentos de mulheres escritas por Shakespeare que a vida das mulheridades não é (e nunca foi) um morango, ela pode ser uma beterraba ralada que chora seu conteúdo sem e com condições de defesa, ela se dissolve e deixa de existir. Natureza Morta. 

A ETA, como muitos artistas aqui alagados quase com a areia na boca pelo nosso solo híbrido, produz espetáculos que deveriam estar em circulação pela cidade, pelo estado. Mas como sem políticas públicas e com espaços públicos fechados? Espetáculos, cenas que nascem da paixão e do amor e morrem. Sufocados, arrastados pelo caminho de dramaturgias que não circulam como o sangue mas que jorra e se acabam como em uma romântica história de amor que ainda contam para as meninas e mulheres.”Como é bom ser artista em Alagoas!” O espetáculo constrói uma narrativa física bonita para o medo diário da vida de mulheres, ser mulher. Os corpos que contam essa história tem matizes vivas, as protagonistas as histórias já estão sem vida. 

 Tessitura Lili Lucca e Jocianny Caetano 

22/11/ 2025

Pela subjetividade do corpo, pelo resgate da palavra solta, o que dizer? Como dizer? Como nos comunicamos sem a palavra? A abstração da arte tira a objetividade da vida, nosso corpo é uma engrenagem imensa que funciona com cada peça cumprindo sua função. Assistir a poesia de Magno Almeida no corpo que dança me faz lembrar dos PEQUENOS APELOS e apagamentos constantes que fazemos, ao não conseguir dizer. Como dançar cada um de nossos desejos e dores? Acho que de fato o sentir essa abstração da vida é um movimento que todos dançaremos algum dia.  PELOS POROS  E PEQUENOS APELOS_Cia do Chapéu

Tessitura Lili Lucca

 

24/11/ 2025

24. Dois homens, um número composto. Dois corpos espelhados. A beleza de coreografar a angústia, colocada pelo olhar do outro.  Uma nova forma de ver os corpos, as humanidades. O espetáculo de Reginaldo Oliveira e Crystian Castro, desperta na gente a coragem de sermos. O espelho que reflete o encanto de mover-se. Ser por si, não pelo outro. Carregar os números, as designações, os juízos e com as definições postas subverter todas. Como a água, a fluidez dos corpos que podem e devem se transformar a partir de experiências vivas. Nós somos colocados em lugares que nunca aspiramos estar, dançar a libertação e o encanto é abarcar corpos   revolucionários.

Tessitura Lili Lucca


A título de esclarecimento, notinhas de repúdio:

“Circular, ir e vir-se. Quantas vezes esse ano fomos pelo tempo impedidos de ir, pelas distâncias afastados do encontro. O que eu consegui tem relação direta com a minha dimensão geográfica privilegiada em Maceió, mas a presença é sempre uma luta diária com o cansaço e a busca neoliberal de acabar com educação. E com aqueles que dela vivem. Moro há mais de 20 anos no bairro do Jaraguá, Rua do Uruguai,2**.” - Lili Lucca

“Cabe talvez fazer um novo parêntese, do contrário da dimensão privilegiada há a marginalizada, que é onde estou inserida, fazendo o mesmo coro que minha amiga crítica sempre assertiva, nós da parte alta clamamos por espaços de cultura, teatros, museus e tudo mais que for possível, a classe trabalhadora quer muito mais que fontes interativas.” - Jocianny Caetano



E você, o que você viu de artes cênicas em Alagoas neste 2025? E você que foi visto, quer conversar?



Da Lama à Lona_ Do Circo á Chico Science ..... Pernambucamos todos e todas! Tessitura_ Lili Lucca

 

No Recife e no dia 25 de abril de 2025, cheguei ao parque da Macaxeira, a lona já estava cheia, filas se formavam para conseguir mais uma senha, luzes que piscavam de dentro do circo, já se ouvia a música tocando. Aquela lona parecia tão pequena, como assim tanta gente ainda na fila, todos ficariam de fora? Eu e mais algumas pessoas ali, começamos a circular a lona para achar uma fresta e tentar assistir o espetáculo, antes de começar algumas partes dessa mesma lona foram erguidas para que todos pudessem ver o espetáculo.

Caminhar até o teatro é sempre um momento bom. Conseguir acompanhar o palco giratório e os artistas que circulam nessa cena, é algo que faz parte da minha formação enquanto artista de teatro. Olhar para essa cena, registrar na memória e sair escavando o que ela já viu em cena é incrível. Você conhece o Palco Giratório? O palco Giratório, está em sua 27º edição, nesta serão 16 grupos de 15 estados diferentes percorrendo 96 cidades até dezembro.

Ir para o Recife, com meu amigo de vida, Magnum, no mês de abril foi um momento de tanta elaboração afetiva e cênica que me deixou nostálgica por alguns dias, deixei o tempo e a experiência da memória me abraçar. Em meio as minhas memórias de tantos artistas que conheci em anos acompanhando o Palco Giratório em Alagoas, escutar Fátima Pontes, uma mulher do circo que diariamente vai superando limites de se trabalhar com arte no nosso país, é compreender que hoje o palco giratório é um dos espaços mais democráticos para os artistas cênicos do Brasil. Acompanho esse projeto do Sesc Brasil, desde 2004 e acredito que o Chico e Fred, quando em 1992, escreveram o manifesto, já estariam ao meu lado aplaudindo e reverenciando Fátima Pontes. No Manifesto Manguebeat - Caranguejos com Cérebro, Chico Science e Fred Zero Quatro, já anunciavam:

“Mangue, a cena

Emergência! Um choque rápido ou o Recife morre de infarto! Não é preciso ser médico para saber que a maneira mais simples de parar o coração de um sujeito é obstruindo as suas veias. O modo mais rápido, também, de infartar e esvaziar a alma de uma cidade como o Recife é matar os seus rios e aterrar os seus estuários. O que fazer para não afundar na depressão crônica que paralisa os cidadãos? Como devolver o ânimo, deslobotomizar e recarregar as baterias da cidade? Simples! Basta injetar um pouco de energia na lama e estimular o que ainda resta de fertilidade nas veias do Recife.” (trecho do manifesto Manguebeat)

Ao chamando dessa emergência surge também em 1996, no Recife a Escola Pernambucana de Circo (EPC), promovendo inclusão através da arte, para jovens e crianças aliado a pedagogia do circo. Fátima Pontes, juntamente com Chico Science, por meio do seu trabalho, injeta energia em jovens estimulando toda a capacidade de criar o novo. O trabalho educativo e de formação feito por Fátima Pontes, junto a Escola Pernambucana de Circo, é um desobstruir veias e colocar vidas eufóricas para nutrir a cidade com arte, arte que surgem do que tem de mais abundância da lama, vidas para resplandecer. Há arte para resistir, para educar, para emancipar, transformar e emocionar e todas elas a Escola Pernambucana de Circo, tem realizado ao longo de seus 29 anos de existência. Fátima Pontes e a Escola Pernambucana de Circo são os homenageados pelo Palco Giratório esse ano.

                                                             

Existência essa que está circulando pelo país no Palco Giratório, o espetáculo Espetáculo Circo Science - Do mangue ao Picadeiro, é a experiência enérgica do circo, do improviso a dinâmica do picadeiro e o desenvolvimento junto com a plateia. Do mangue ao picadeiro, eles colocam você pisando com os dois pés na cultura manguebeat, é olhar diretamente para a periferia do Recife, toda sua diversidade corpos, de músicas, todo traquejo de corpos caranguejo que com beleza vivem do caos a lama, do frevo ao passinho, do maracatu ao mangue e transformam a precariedade da vida em arte única e radiante. É conhecer e vivenciar a cultura do Mangue Boy e da Mangue Girl, encher os pulmões de ar para cantar o mangue de pé, é colocar seu corpo no beat do mangue, são multicoloridos homens e mulheres que se completam em uma grande roda, com hinos que cantam a cultura, a revolta e a arte de um povo e um ídolo. Chico Science, é vivo no seu povo, uma Nação Zumbi.

A cena é a narrativa musical de Chico Science à corpos sublimes do circo.  A lama e a lona sobre corpos.  Mas esses corpos circenses, que nascem da lama/lona são a força, a coragem, a luta e a poesia de formas que desafiam as leis da física e que nos hipnotizam em números circenses memoráveis. Ao tempo que não desgrudamos os olhos da cena, estamos junto com eles cantando e dançando como uma grande roda de manguebeat, nossos pés quase desgrudam do chão a todo momento com vontade de pular.  

                                                     


E somos convidados a toda ocasião a participar da cena, aplaudindo comemorando os feitos acrobáticos, de quem teve sua  vida com seus apuros, mas a arte lhe convocou e hoje está no palco. Palco e picadeiros em que vidas são transformadas pela Escola Pernambucana de Circo, suas vivências, sua identidade, seu trabalho de formação e educação social pela arte. Por onde circular o palco Giratório, o picadeiro da Escola Pernambucana de Circo, o manguebeat, Chico e a Nação Zumbi, a cultura pernambucana e seus artistas, haverá o convite para roda. Que você permita-se pular, entrar na roda e/ou cantar com todos a uma só voz ’A Praieira ‘:

“E é praieira, vou lembrando a revolução
 Vou lembrando a revolução
 Mas há fronteiras nos jardinsda razão”
A praieiria/Canção de Chico Science e Nação Zumbi/1994

Que esses artistas que circulam pelo Palco Giratório 2025, ocupem memórias, emocionem pessoas, transformem realidades, hoje o palco giratório é um espaço de revolução no sentido de transformar, de dar acesso à arte, ao teatro. Quantos são os jovens que conseguem ir ao teatro, conhecer artistas do seu país para além das telas?

O palco giratório além de ser um projeto que dá visibilidade a artistas de todos os estados do nosso país, cumpre um papel de formação cultural e intelectual na vida de muitos brasileiros e brasileiras.

Viva Fátima Pontes e a Escola Pernambucana de Circo!

Um salve aos fazedores do Palco Giratório e todos, todas e todes artistas que circulam nesse país!

UM VIVA A CHICO SCIENCE E A NAÇÃO ZUMBI!!!

“Computadores fazem arte
 Artistas fazem dinheiro, dinheiro
 Computadores fazem arte
 Artistas fazem dinheiro, dinheiro”
/Computadores Fazem Arte/ Chico Science/Composição: Fred Zero Quatro

A todas as plateias: em julho temos em circulação em Alagoas.


FICHA TECNICA:  

Produção: Fátima Pontes e Escola Pernambucana de Circo.

Elenco: Ítalo Feitosa, Maria Karolaine, Gabriel Marques, Bruno Luna, João Fernando, João Vítor. 

Roteiro e Dramaturgia: Fátima Pontes.

Direção: Ítalo Feitosa.

Assistência de direção: Fátima Pontes.

 Músicas: Chico Science.

Direção Musical: Vibra Dj e equipe (D Mingus, Magi Brasil e Ugo Barra Limpa).

Execução da sonoplastia: Blau Lima (Everton Lima).

Preparação de elenco: Felipe Braccialli.

Coreografias: Patrícia Costa, Ítalo Feitosa e Trupe Circus.

Figurino: Marcondes Lima.

Execução do figurino: Maria Lima.

Projeto de Iluminação: Felipe Braccialli. 

Execução de Iluminação: Tales Pimenta. 

Videocenografia: Gabriel Furtado.

Fotos do centro de Recife: Nando Chiappetta.

 Tipografia Manguebeats: Leonardo Buggy, Plínio Uchôa Moreira,

 Gustavo Gusmão, Jota Bosco e Kboco.

Assessoria de Comunicação: Thiago César.

Fotógrafo: Rogério Alves.

 Designer: Cláudio Lira. Acervo Virtual Familiar da memória escrita de pensamentos,

 poesias e ideias de Chico Science.

 Reciclagem das lonas utilizadas no espetáculo: Cooperativa de Mulheres Ecovida Palha de Arroz.

 

                                                                                  





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